Ataques cibernéticos a empresas brasileiras crescem 220% no 1º semestre de 2021

Ataques cibernéticos a empresas brasileiras crescem 220% no 1º semestre de 2021

As notificações referentes a ataques cibernéticos contra empresas brasileiras cresceram 220% no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2020.

Para Claudio Bonel, analista de dados e fundador de uma startup de Business Intelligence e Analytics, o aumento da atividade hacker está relacionada à implementação do trabalho remoto durante a pandemia. De acordo com ele, o trabalho home-office deixou as empresas mais vulneráveis.

“Os ataques às empresas aumentaram bastante em tempos de pandemia, período em que o trabalho home-office foi implementado em grande escala. Com isso, nós temos um volume maior de acesso remoto, onde as pessoas acessam dados importantes diretamente de casa. Esse maior número de acessos facilita a invasão dos sistemas”, explicou.

Entre os ataques cibernéticos contra as empresas brasileiras, a pesquisa destaca que 37% das notificações foram referentes à “incidente cibernético na área de Tecnologia da informação”. O ransomware – extorsão que pode bloquear o seu computador e depois exigir um resgate para desbloqueá-lo – também é citado no levantamento.

Investimento em segurança da informação se torna vantagem competitiva em 2021

Investimento em segurança da informação se torna vantagem competitiva em 2021

Os ataques cibernéticos passaram a ser alvos de preocupação e entraram de vez no radar da maioria das empresas brasileiras, principalmente após a explosão de casos registrados ao longo de 2020. Como exemplo, uma pesquisa com mais de 3.200 executivos e profissionais de TI de 44 países, incluindo o Brasil, aponta que 57% das companhias devem aumentar os investimentos em cibersegurança em 2021 em relação ao ano passado. De acordo com análise realizada na Compugraf, empresa referência em segurança da informação, os investimentos em proteção estão se tornando um diferencial competitivo no mundo corporativo neste ano.

Além do prejuízo financeiro, as empresas perdem valor competitivo frente aos concorrentes, sem contar a imagem negativa perante ao mercado. Uma companhia que deixa de cumprir a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) perde pontos em todos os sentidos, principalmente ao fechar negócios. Quase ninguém optará por ter relações comerciais com uma empresa não aderente à Lei de Privacidade.

A consequência desse movimento também é por conta da LGPD, que entrará em vigor oficialmente em agosto e pode resultar em multas às empresas que não tratarem dos dados pessoais dos clientes. O descumprimento dela pode variar de 2% do faturamento bruto a R$ 50 milhões (por infração).

Grande parte do empresariado ainda tem a visão de que investimento em segurança da informação é somente essencial para as organizações de grande porte ou relatam que é algo fora da realidade deles. Existem pontos simples que as empresas podem e devem seguir e que são essenciais em qualquer cenário, deixando-as seguras e livres de multas. Elas devem identificar e cuidar de forma crítica de quatro pontos cruciais: pessoas, processos, ferramentas e documentos.

Preparação interna

Além dos investimentos, outra preocupação é a conscientização da importância da LGPD e de um ambiente de trabalho seguro entre os colaboradores, visto que em muitos casos essa é a porta de entrada para os ataques cibernéticos nas empresas. Nesse caso, é preciso focar como a internet deve ser utilizada em cada setor, o que é permitido ou não. Feito isso, inicia-se o mapeamento de todos os dados que constam no sistema da companhia e também a definição da equipe responsável por cuidar da nova área de cibersegurança.

O executivo argumenta ainda que quanto mais dependente do ambiente virtual e da tecnologia é um negócio, mais importante é manter os dados protegidos, uma vez que as empresas passaram a considerar a segurança da informação como um critério primordial para estabelecer novas parcerias comerciais. As organizações que incluem esse investimento como prioridade já estão sentindo impacto positivo nos processos internos, com os clientes e também com os fornecedores.

Via: CanalTech